*É um Lusófono com L grande? Então adira ao MIL: vamos criar a Comunidade Lusófona!*
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Apoiado por muitas das mais relevantes personalidades da nossa sociedade civil, o MIL é um movimento cultural e cívico registado notarialmente no dia quinze de Outubro de 2010, que conta já com mais de 40 milhares de adesões de todos os países e regiões do espaço lusófono. Entre os nossos órgãos, eleitos em Assembleia Geral, inclui-se um Conselho Consultivo, constituído por uma centena de pessoas, representando todo o espaço da lusofonia.
Defendemos o reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade.

SEDE: Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa)
NIB: 0036 0283 99100034521 85; IBAN: PT50 0036 0283 9910 0034 5218 5; BIC: MPIOPTPL; NIF: 509 580 432

Caso pretenda aderir ao MIL, envie-nos um e-mail: adesao@movimentolusofono.org (indicar nome e área de residência). Para outros assuntos: info@movimentolusofono.org. Contacto por telefone: 967044286.

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"

"Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa"
Trata-se, actualmente, de poder começar a fabricar uma comunidade dos países de língua portuguesa, política essa que tem uma vertente cultural e uma outra, muito importante, económica.

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.


Agostinho da Silva

sábado, 4 de março de 2017

15-18 de Novembro: 2º Festival TABULA RASA


Co-organização MIL/ NOVA ÁGUIA - para mais informações:
 

Prefácio de Adriano Moreira à "Via Lusófona II"



Encontram-se facilmente argumentos contraditórios que se assemelham, de um lado contra ou a favor da unidade europeia, por outro a favor e contra o movimento lusófono. De facto, o problema da unidade europeia, que talvez deva preceder o exame da questão da lusofonia, pela razão de que tem séculos a vocação de organizar a primeira, sendo que a vocação se mantém para além do fracasso da organização ao longo dos tempos, e o mesmo acontece agora com a vocação de afirmar a segunda, parcela que é do europeísmo, deparando-se também com os acidentes da organização. Quanto ao europeísmo, e para evitar enumerar a longa teoria de projectistas da paz europeístas, lembremos todavia que vai da proposta de um tribunal arbitral (Pierre Dubois, século XVI) entre soberanias, a uma espécie de Senado (Podiёbrad, 1464) a tender para o federalismo (William Penn, 1718), para realizar uma partilha interna de impérios findos com a guerra de 1914-1918 a favor dos Estados-Nações convergentes globalmente na Sociedade das Nações, e acabando, neste século XXI sem bússola, e pelo que toca à Europa, num regionalismo, que é a União Europeia, sem conceito estratégico para enfrentar o globalismo, cuja estrutura interna é mal conhecida, quanto às redes múltiplas, interdependências, e até centros de decisão. Porque as gerações vivas procuram naturalmente responder a esta circunstância nova, as correntes de resposta são múltiplas, ou acentuando a perda-recuperação do nacionalismo ou a compensação da soberania individual com a regionalização da nova invenção, ou com tendências para aceitar a terra casa comum dos homens cuja governança falta. Por tudo, as subsistentes memórias plurais do passado entram frequentemente em conflito com os próprios normativismos contratuais ou organizações como a ONU, e, sem surpresas com os regionalismos menores, como é a União Europeia. Acontece que se podemos não esquecer a visão de Camões de uma unidade (cristandade) em que Portugal seria a cabeça da Europa toda, e por isso merece ser citado entre os crentes da unidade europeia, é também o defensor da identidade singular da Pátria em que um fraco Rei faz fraca a forte gente, na época em que, depois da guerra de 1939-1945, a Europa deixou de poder considerar-se “a luz do mundo”, perdeu o Império Euromundista de que Portugal teve parte até 1974, não acertou na governança da plataforma da União, dividiu-a entre ricos e pobres, fez crescer o desamor europeu, viu reaparecer as ambições das pequenas pátrias, e renascer a inquietação dos Estados-Nações, a cuidar de novo das suas raízes, do seu novo isolado futuro, do bem estar dos seus cidadãos, da sua dignidade na comunidade global. É neste clima que o tema do milagre português, que tem a memória camoniana da unidade europeia congregada com a memória da unidade não perdida, assumiu a lusofonia com a importância que sustenta o autor deste livro oportuno, e que não ignora o vigor com que analistas atentos, multiplicam os avisos e críticas contra a forma como a unidade europeia vai perdendo vigor, com falta de conceito estratégico, com tendência para reviver o directório de má história, tudo agravando a circunstância da lusofonia e do luso-tropicalismo, que devia ser a bandeira do enfraquecido Estado português, que é a do nosso autor, que não pode ser diminuída, porque é um alicerce nosso. O facto de Portugal sempre ter necessitado de um apoio externo, e, findo o Império Euromundista, ter racionalmente seguido a União da frente marítima atlântica na decisão de abandonar as responsabilidades coloniais, isso não impede querer fortalecer outras parcelas de liberdade nacional, nem ignorar ter obrigações para com outras organizações, como a ONU e o BIT, o que parece ter sido esquecido no regime da troika e sequelas vigentes. Ora, de todos os países que partilharam o Império Euromundista findo com a guerra de 1939-1945, e a filosofia da ONU, foi Portugal o único que, depois de uma guerra longa, ao lado das guerras pesadas que todos os outros sustentaram (França, Holanda, Inglaterra, Bélgica), conseguiu inspirar a organização da CPLP e do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, lançando as ideias a que o Brasil deu força e organização. Ignorar que a língua portuguesa é uma janela de liberdade, é por exemplo não meditar na importância universitária que lhe dá a Universidade Católica de Tóquio, ou o interesse que em 2005 levou o governo de Pequim a delegar no governo de Macau o estudo da língua, “para aproveitar a herança portuguesa”: deixámos em Macau uma escola portuguesa, julgo que nesta data a China tem catorze, e aqui começa a ser institucionalizado o ensino do Mandarim. O erro, creio, é não admitir que a “língua portuguesa não é nossa, também é nossa”. Isto porque em cada latitude onde se fala absorve valores diferentes que nos outros não acolhe, a começar com o português do Brasil com os seus valores dos nativos, africanos, alemães, portugueses, italianos, tendo uma música específica. É este erro que tem expressão no querer submeter a língua a tratados, ignorando que é um organismo vivo, cuja vida não é neutra em relação à circunstância. Por outro lado, depois do fim do império Euromundista, a CPLP é uma expressão de “maneira portuguesa de estar no mundo”, o que implica, para além dos erros cometidos, como a inquisição, o transporte de escravos, a expulsão dos judeus, o estatuto jurídico diferenciado das populações, ter conseguido, pela intervenção universitária e missionária da já intitulada Escola Ibérica da Paz, onde o padre António Vieira tem parte actual, dar uma contribuição notável para o património imaterial da Humanidade, usando a comunidade de afectos que permitiu a organização da CPLP e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Por vezes é citada a Comunidade Britânica, anterior à segunda guerra mundial, mas vistas as diferenças em relação aos países que não são de origem anglo-saxónica, a semelhança não existe. O cimento dessa nossa afinidade parece ser, como foi na formação demorada das Nações, a comunidade de afectos entre as etnias encontradas e os colonizadores finalmente encaminhados não para a tolerância, mas para o respeito das diferenças. A unidade europeia não é incompatível com isto, falta-lhe o culto acentuado da comunidade de afectos, acima das memórias imperiais, que sobreviveram a duas guerras mundiais. Por isso, é um serviço, não apenas aos interesses de Portugal, mas aos do património imaterial comum da humanidade, a defesa dos valores lusófonos, a que se dedicou o MIL.

O Livro do MIL, já na sua terceira edição...

Edição revista e aumentada - para encomendar:
info@movimentolusofono.org

13-14 de Novembro: V Congresso da Cidadania Lusófona

Para mais informações:

sexta-feira, 3 de março de 2017

Vamireh Chacon e “O futuro político da Lusofonia”


Nascido a 1 de Fevereiro de 1934, na cidade do Recife, Vamireh Chacon é um insigne pensador brasileiro com um distinto currículo: bacharel e doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade do Recife, depois Universidade Federal de Pernambuco; bacharel e licenciado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica de Pernambuco; ex-professor assistente, adjunto e titular da Faculdade de Filosofia na mesma Universidade; desde 1975, professor titular no Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde se tornou professor emérito em 2005; professor visitante em universidades estrangeiras, principalmente da Alemanha, França, Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos; doutor honoris causa pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, da Alemanha, e membro das mais diversas instituições.

Ao longo da sua já longa vida, é autor de mais de duas dezenas de títulos, em particular na área da Filosofia Política. Aqui, centrar-nos-emos numa sua obra publicada em Portugal (Edição Verbo, 2002), com o sugestivo título de O futuro político da lusofonia, composta pelos seguintes textos: “Lusofonia e Blocos Transnacionais”, “Blocos Internacionais, Mercosul e CPLP na viragem do século XX ao XXI”, “Lusofonia, Luso-Tropicalismo, Luso-Tropicologia”, “Roteiro”, “Portugal e o plano jesuíta para o Brasil”; “A Razão Atlântica: Mercosul, África do Sul e Comunidade Lusófona”, “O Oriente Lusitano: primeiros contactos Oriente-Ocidente”, “O Impacto de Marco Polo”, Revolução das Navegações: epopeia e autocrítica”, “Idealismo e realismo no Ultramar”, “Fernão Mendes Pinto e Companheiros”, “Diletantismo e paixão na redescoberta do Oriente”, “Descoberta do Oriente também pelo Brasil”, “Gilberto Freyre e o encantamento pela Arábia e Índia, e as suas antevisões da China” e “Luso-Tropicalismo e Luso-Tropicologia revisitados”.

Pelo título geral do volume – e dos artigos que o compõem –, compreende-se imediatamente o teor da obra: trata-se de uma reflexão sobre a Lusofonia enquanto bloco transnacional, reflexão que se faz retrospectivamente, à luz da nossa história (de Portugal e do Brasil, sobretudo), e prospectivamente, na antecipação de como se poderá realizar, no século XXI, todo o potencial desse bloco. Dos autores citados, salienta-se o nome de Gilberto Freyre: “dos primeiros, ainda hoje um dos poucos, a defender a lusofonia cultural, económica e política” (p. 139). E, conhecendo-se todos os preconceitos ideológicos relativos a este pensador – vindos, tanto em Portugal como no Brasil, das correntes da dita “esquerda” –, são particularmente significativas as seguintes palavras de Mário Soares, que Vamireh Chacon refere: “Agora, passados os anos e lendo novamente Gilberto Freyre, abstraindo Salazar e as guerras coloniais, aquilo que ele disse é verdadeiro. Aquilo que ele disso sobre luso-tropicalismo é verdadeiro, é uma cultura própria e temos que desenvolvê-la no futuro.” (p. 49).

Assim, em diálogo com Gilberto Freyre, Vamireh Chacon começa por salientar a importância da cultura – “a cultura é o que somos, a seiva do que fazemos, a civilização” (p. 40) –, no âmbito de uma reflexão particularmente lúcida sobre o fenómeno, tão contemporâneo, do multiculturalismo: “Sem eixo integrador de rotação cultural centrípeta, denominador comum, dispersam-se as contribuições multiculturalistas e fragmentam-se, recomeçando o processo de definições e agrupamento” (p. 24). Aludindo, em contraponto, às “brechas da entropia produzida por excessivo fechamento” (p. 30), Vamireh Chacon afirma pois o primado do eixo cultural sobre os eixos político, económico e social, afirmação que não poderia ser, nos dias de hoje, mais pertinente.

Daí, de resto, a sua caracterização dos grandes blocos transnacionais, que qualifica como “macroblocos geoculturais” (p. 41) e linguísticos, dado que, como expressamente defende: “mais que blocos religiosos, como pretende Samuel P. Huntington, preocupado como estado-unidense com o fundamentalismo islâmico, o mundo do século XXI tende a também, e ainda mais, a congregar-se em blocos linguísticos” (p. 133). Daí, em suma, todo o fundamento da Lusofonia enquanto macrobloco geocultural e linguístico, em que o mar não é factor de distância mas de (re)aproximação – ainda nas palavras de Vamireh Chacon: “o mar é a ponte dos Estados transnacionais” (p. 27); “todos os [países] lusófonos dispõem do mar oceano como fronteira recíproca a aproximá-los mais que a distanciá-los” (p. 81).

Referindo-se ao teor da cultura lusófona, Chacon alude a “uma razão atlântica, herdada das lusas Descobertas ultramarinas do Renascimento, quando Portugal lhe acrescentou a dimensão do coração, em vez de limitar-se ao seu frio, objectivo, racionalismo inicial. A razão atlântica luso-tropical vem revelando-se ecuménica em todos os tipos de miscigenação étnicos e culturais” (p. 81). Daí ainda o referir-se ao “ideal ou meta da miscigenação multi-étnica na morenidade lusófona prevista e defendida por Gilberto Freyre, a Onça Castanha de Ariano Suassuna” (p. 33), dado que “foi mestiçando-se, não só em carne, mas em espírito, que o português do sonho sebástico de tornou o brasileiro de hoje” (p. 137). Daí, em suma, a sua visão do Brasil: “não centralista porque respeitadora dos foros dos municípios remontando ao domínio romano, enquanto os foros de Espanha se estendiam a regiões inteiras. Daí o único vice-reinado da América Portuguesa diante dos vários da América Espanhola” (p. 32)

Uma palavra final, relativa à sua visão de Portugal – transcrevendo aqui uma obra passagem d’ O futuro político da Lusofonia: “O escritor e estadista Leopold Sedar Senghor, primeiro presidente do Senegal, ele próprio de ascendência afro-lusa, entendeu muito bem, apesar das naturais limitações da sua francofonia, como, ‘daqui para o futuro, mais consciente da sua rica singularidade, o Portugal Novo avançará numa dupla direcção; por um lado para reintegrar a Europa em construção – falo da Europa cultural – mas, por outro, para ajudar com o Brasil e elaboração de um mundo lusófono, nomeadamente ao nascimento, em África, de novos Brasis, cheios de força porque de sangue misturados e prefigurando o mundo do futuro’” (p. 85). Caso para dizer, em conclusão: lamentavelmente, Portugal não teve, nestas últimas décadas, um alto responsável político com esta visão do país e da Lusofonia.

"José Enes: Pensamento e Obra", mais uma obra promovida pelo MIL...


No conjunto, este livro representa um instrumento valioso e indispensável para o estudo do pensamento e da obra do Professor Enes, pois os ensaios que reúne, ao tomarem para análise os seus próprios textos, trazem um inestimável contributo para a sua compreensão e difusão. Desde a biografia e bibliografia até à gnosiologia, ontologia, ética e teologia, passando ainda pela crítica literária, pela reflexão sobre a universidade, a sociedade e a política, o pensamento e a obra do Professor José Enes ganham em muitos dos estudos aqui incluídos uma grandeza, porventura mais perceptível e imponente do que o apreço que em vida o autor logrou conhecer. Simultaneamente, a alta personalidade do professor, do filósofo, do poeta, do humanista, do homem de cultura e de acção que foi José Enes sobressai ao longo do livro, recolhendo um justo e comovedor reconhecimento, que é penhor do lugar de relevo que este grande «português dos Açores» ocupa no pensamento e na cultura que se exprime em língua portuguesa.
 
AA.VV., "José Enes: Pensamento e Obra", coord. de Carlos Pacheco Amaral, Manuel Cândido Pimentel e Renato Epifânio, Lisboa, MIL/ DG Edições, 2016, 474 pp.
ISBN: 978-989-8661-64-7
Para encomendar: info@movimentolusofono.org
 
Outras obras promovidas pelo MIL:

18 Abril: Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona de 2016 a Ruy Mingas...




Anteriores Premiados: Lauro Moreira (2009), Ximenes Belo (2010), Adriano Moreira (2011), Domingos Simões Pereira (2012), Ângelo Cristóvão (2013), Gilvan Müller de Oliveira (2014) e Duarte de Bragança (2015).

Torne-se Sóci@ do MIL e receba "A Via Lusófona (I e II)" como oferta...



Para aceder às fichas de Sóci@ do MIL:

quarta-feira, 1 de março de 2017

25 de Março, no Porto: próxima sessão do Ciclo 150 anos de Raul Brandão e António Nobre...

Fotos do início do Ciclo "150 anos de Raul Brandão e António Nobre"



Casa cheia no Ateneu Comercial do Porto para receber a primeira tertúlia de 2017 (28 de Janeiro). Este encontro contou com uma comunicação do Professor José Carlos Seabra Pereira e as intervenções de José Valle de Figueiredo e José Almeida.
A organização gostaria de agradecer a todos os presentes, relembrando que a próxima sessão terá lugar no dia 25 de Fevereiro.